Como vai reagir a economia ao afastamento, mesmo que temporário, da presidente Dilma Rousseff (PT) e a posse do vice Michel Temer (PMDB)? O que empreendedores que planejam investir em novos negócios devem fazer? Para Lucas Hanashiro, advogado tributarista e sócio da Tiex, empresa de gestão e assessoria corporativa, o impeachment trará uma “euforia” momentânea e pontual. “Para que o cenário mude de forma consistente, o governo substituto deverá realizar mudanças conjunturais e estruturais convincentes, como o corte de gastos e incentivos aos setores produtivos, equilibrando as contas públicas”, diz Hanashiro.

Novo astral

Samuel Lopes, também sócio da Tiex, muitas empresas com capacidade de investimento estão aguardando a adoção de mudanças para injetar recursos a médio prazo, o que vai aquecer a economia novamente. “E tem gente segurando demissões com a expectativa de que isso aconteça”, comenta. Segundo Lopes, “a expectativa de todos é que mudanças gerem um novo astral, uma nova força, para que os investimentos e o quadro de pessoal sejam mantidos para que em 2017 e 2018 o Brasil possa colher os frutos do investimento que foi feito nesse período”, completa.

Expectativas divergentes

A expectativa para os próximos 180 dias no País, período de afastamento da presidente Dilma para o andamento do processo no Senado, diverge segundo a situação entre oposicionistas e governistas, como era de se esperar. Para os senadores ligados ao governo ouvidos pela Agência Brasil, será um período de instabilidade, em função da “ilegitimidade” de um eventual governo Temer que, segundo eles, colocaria em risco não só direitos dos trabalhadores, mas também as riquezas que o País poderia obter com a exploração do pré-sal.

‘Velho’ PT na oposição

Já os oposicionistas acreditam que serão dias melhores: um período de transição em que propostas discussões significativas ajudarão o Brasil a crescer. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) diz que o País entrará em um período de “salvação nacional”. Mas ele está preocupado com o PT na oposição. “Teremos o PT, que é o grande responsável por essa crise, tentando aprofundar ainda mais a crise. Ele voltará a ser o velho PT de antigamente, da política de terra arrasada e do quanto pior melhor, para sobreviver politicamente”, ressaltou o tucano.

Morrer atirando

Com a recusa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, ao pedido da Advocacia Geral da União (AGU) para suspender a validade da autorização da Câmara para abertura do processo de afastamento de Dilma por crime de responsabilidade, deputados governistas enfatizaram ontem sua disposição em atuar como oposição ao governo Temer, provisório ou até o final de 2018. Eles prometeram novos recursos no STF, por acreditarem haver espaço para reverter a situação. O gabinete de Dilma decidiu ontem enfatizar o discurso do “golpe” contra o governo.

– – –

Por Liliana Lavoratti
Publicado em: Jornal DCI

About the author