O processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff paralisou não só os três poderes brasileiros, mas, também, a economia, onde os setores aguardam uma posição clara sobre o futuro do país para retomar ou iniciar os investimentos no mercado.

Para entender como a estagnação política reflete na economia, o Edição do Brasil conversou com o advogado tributário e especialista em assessoria financeira, gestão corporativa e planejamento, Lucas Hanashiro. Para ele, essa oscilação tanto econômica quanto política gera instabilidade e receio.

Como o cenário político atual está influenciando na economia?

De forma negativa, seja no mercado, economia e empresariado como um todo. O impacto principal é a incerteza que está pairando sobre os setores. Muitas empresas, até as que têm condições de investir, estão optando por adiar suas movimentações por conta disso. O que retarda a economia e faz com que a circulação de riqueza acabe sendo prejudicada.

O governo é um dos principais gestores da economia, pois, além de regular os setores e estipular regras no mercado, ele também é responsável pela arrecadação. Um governo instável traz consequências para a economia.

Onde é seguro investir neste momento?

Isso depende de cada setor e da cultura de cada empresa. O seguro agora é investir naquilo que já foi estudado e que possa trazer um retorno benéfico, mesmo que o cenário seja inseguro. Existem pontos positivos na economia, quem está investindo no momento tem encontrado grandes oportunidades. Por exemplo, o setor imobiliário que apresentava uma alta seguida nos anos anteriores está em queda. Portanto, para quem tem a possibilidade de investir, é uma boa possibilidade.

Com o processo de impeachment houve uma alta variação no dólar e na bolsa de valores, como isso afeta o mercado?

Isso é mais um reflexo de insegurança. Essa oscilação tanto econômica quanto política gera instabilidade e receio. Não é possível identificar um cenário ideal para um investimento ou uma decisão mais acertada. Todos ficam dependentes de especulações, isso reflete no retrocesso econômico. E que chega aos brasileiros na forma de inflação, desemprego, queda de renda etc.

A situação do governo deve ser decidida nos próximos 6 meses. Qual a projeção para esse período?

De acordo com a evolução do cenário político, a expectativa é de estagnação ou recessão. Tudo vai depender de quais medidas o sucessor ou o atual governo vai trazer para a política econômica brasileira. É possível também que haja uma certa euforia do mercado em caso de impeachment, já que o setor empresarial é mais tendente e favorável ao processo de afastamento. Porém, essa movimentação é pontual e não estrutural.

Essa euforia pode gerar um efeito psicológico negativo, ou seja, uma falsa imagem de esperança, evolução e crescimento. Principalmente, se não houver mudanças efetivas na condução da economia brasileira.

O que o governo precisa fazer para retomar o crescimento da economia?

O mais importante é a questão fiscal, esse déficit é o principal fator que determinou o processo de impeachment que está ocorrendo, isso precisa ser controlado. É importante reduzir o nível de gastos do governo e dar um equilíbrio maior nas contas. Além disso, é necessário outras medidas para melhorar o setor produtivo para que haja uma retomada de crescimento e uma queda no número de desempregos. Isso pode trazer uma oferta maior de crédito e outros avanços para o mercado.

As empresas devem se posicionar em relação à política brasileira?

As empresas são pessoas jurídicas, consequentemente são dotadas de personalidade, sejam elas políticas ou econômicas. Toda corporação tem uma cultura que é disseminada internamente. Por conta disso, entendemos que a empresa pode ter um posicionamento político, a ressalva é que as liberdades individuais devem ser estabelecidas e respeitadas.

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Publicado em: Jornal Edição do Brasil

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